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Caminho do Lombo do Salão - Nº 13, 9370-174, Calheta

Novo hotel na Madeira convida a dormir numa antiga gruta e a ficar “entregue à natureza”

O chef Octávio Freitas é o promotor deste alojamento sustentável que combina gastronomia, agricultura e 20 unidades de turismo rural, “numa simbiose única”. Dispostas em socalcos com muros de pedra centenários, na Calheta, ilha da Madeira, as casas rodeiam-se de terrenos cultivados e têm vista para o oceano.

Quando Octávio Freitas se deparou com um antigo solar na Calheta, ilha da Madeira, sentiu uma “energia fora de série”. A casa original, de 1685, era uma das mais ancestrais da zona e a propriedade agrícola estava ao abandono há décadas. Percebeu que este era o local certo para concretizar o “sonho de combinar a gastronomia e a agricultura com o alojamento, numa simbiose única”, erguer “o hotel mais madeirense que existe na Madeira”. Em outubro de 2020 abriu o Socalco Nature Hotel, que lhe saiu do coração.

A ambição era proporcionar experiências reais, recreando as vivências do lugar. Por isso, apenas 20% da área disponível foi ocupada com construção, a restante foi “devolvida” à natureza. Os edifícios “adaptaram-se ao terreno sem destruir absolutamente nada”, preservando “o caráter e a identidade” do local, conta o chef ao Boa Cama Boa Mesa. Construíram-se casas em socalcos com muros de pedra centenários e, à sua volta, retomou-se a produção agrícola. A identidade do projeto está “entregue à natureza”, ao que ela vier a ditar com o tempo. Reabilitou-se, também, a ramificação de levadas, e a água da ribeira e das nascentes é utilizada na rega.

O pai de Octávio, Sisaltino Freitas, trata das hortas em torno dos alojamentos e de onde saem hortícolas para abastecer o restaurante, frutas e ervas aromáticas. A cultura predominante é a vinha, com a plantação das castas Boal, Terrantez e Verdelho. Recuperou-se um pequeno lagar e deu-se início à produção, que vai contemplar a pisa a pé. Um dos poços-cisterna “escavados” nas rochas, ou furado, foi transformado numa adega com paredes brutas de rocha vulcânica, que funciona também como espaço de “degustação intimista”. O primeiro rótulo será um vinho Madeira single harvest.

As imagens aéreas do Socalco Nature Hotel lembram as linhas serpenteantes do Douro ou Sistelo, mas com o mar adiante. Nestes socalcos “não se metem máquinas, cava-se”, e também se dorme… As oito casas isoladas (T0) são um dos componentes do alojamento (desde €95). Apesar das diferenças na arquitetura e exposição solar, todas têm sala, kitchenette equipada, pátio, janelas grandes para entrar luz natural, conforto e cores alinhadas com a paisagem – do verde pastel ao bordeaux terracota. Usaram-se materiais crus, primitivos, como a madeira (sobretudo o pinho), o ferro oxidado e o betão. As pinturas são em cal e na maioria das coberturas fez-se um revestimento em pedra.

Pode reservar a Casa do Caseiro, Casa Salão, a Casa do Boticário, onde o antigo proprietário fazia remédios para vender, a Casa do Ribeiro, em que se escuta a água a correr no ribeiro, a Casa Terrantez (casta que esteve extinta e foi replantada), a Casa da Palha, onde se guardava a palha dos animais, a Casa da Gruta, que recupera a gruta original onde viviam os animais, e a Casa da Cascata – observe uma queda de água sem sair da cama. O hotel dispõe ainda de dez casas em banda, na Vila Verdelho e na Vila Boal. No piso superior da casa mãe há mais duas unidades de alojamento, inseridas na Casa do Chef, que engloba ainda uma cozinha equipada, a preceito do ateliê para aulas privadas de gastronomia. Ao alugar esta casa, é possível “ter um chef privado” à disposição.

“Respeitar os produtos, dignificar a qualidade”
No andar de baixo do edifício principal fica receção e um honesty bar. E ainda o Restaurante A Razão, que, como o nome indica, motivou o investimento. O menu de degustação, de três, quatro ou cinco pratos, é uma surpresa: muda todos os dias conforme a estação e o que há na horta. O hóspede deve apenas indicar eventuais intolerâncias. Aplica-se alguma modernidade na confeção, sem roupagens de vanguarda. Octávio Freitas prefere “respeitar os produtos e a sua origem ao máximo, dignificar a qualidade”. Pretende valorizar a gastronomia regional e a cozinha saudável, sendo a frescura o principal critério de escolha dos ingredientes. Servem-se opções vegetarianas e o pão é de fabrico próprio. O público geral pode aceder por reserva e mediante a disponibilidade da sala.

O Socalco Nature Hotel convida a participar nas tarefas da quinta, em aulas e workshops de culinária com o chef (enquanto saboreia produtos e vinhos locais), a assistir à produção de compotas e do pão, ou a sentar-se a ler um livro na zona de relaxamento, na companhia do canto dos pássaros e dos cursos de água. Neste agro-turismo pode requisitar uma massagem ao ar livre, refrescar-se na piscina exterior de água doce com vista para o Atlântico, ou nos chuveiros espalhados pela propriedade, e descansar nas espreguiçadeiras.

Instalaram-se painéis solares em todas as unidade do sustentável Socalco Nature Hotel (Caminho do Lombo do Salão, Calheta, ilha da Madeira. Tel. 291146910), para aquecimento da água. Aproveitam-se as cascas de ovos e sobras de legumes, por exemplo, para adubar as terras. Os resíduos são tratados através de uma etar biológica e existem separadores de gorduras para se poder devolver a água limpa ao mar.

10-02-2021 in Boa Cama Boa Mesa | Expresso